Pra começar, vamos fazer uma retrospectiva de como surfei essas ondas nos últimos 30 anos? Posso dizer que ganhei mais de um carro e milhões de milhas a custo zero. Parece um sonho mas era realidade, e tudo foi possível graças ao acúmulo de cashbacks e pontos dos cartões de crédito.
Início do Plano Real
Posso afirmar que estou neste mundo desde o século passado! No período antes da moeda Real (criada em 1º de julho de 1994), as taxas de inflação eram altíssimas, chegando a 70%, 80% ao mês. Naquele cenário, algo que custava 100.000 cruzeiros hoje poderia estar custando 180.000 daqui 30 dias.
Cartões de crédito eram limitados a um público bem restrito e a utilização, somente em alguns estabelecimentos.

Com a chegada do Real e a redução da inflação, alguns temas começaram a ganhar importância. Fazer um plano de previdência até então era algo inimaginável, a ponto de não existirem profissionais especializados em ciências atuariais. Lembro de ter ido até a FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) da USP manifestar meu interesse em cursar o MBA Atuária, recém lançado pelo doutor Luiz João Corrar, mas que não foi autorizado pelo meu empregador na época.
Cartões de crédito cobranded (com montadoras de automóveis)
A recusa em aprender ciências atuariais me trouxe benefícios.
Comecei então a estudar os diversos programas de cartões de crédito, e um dos que mais atraiu foram os cartões das montadoras de automóveis. Tive vários: GM Card, Volks Card, Citi Auto Rewards e, o melhor de todos, o Chevrolet Card, lançado pelo BB em 2007 e que oferecia 6% de cashback para a compra de um veículo 0 km.

Já imaginou acumular R$12.000 em cashback durante 36 meses e, ao comprar um Celta por R$24.000 (preço em 2010), poder pagar a metade com aqueles créditos? Parecia sonho mas era verdade! Mas com o tempo o percentual de cashback e os benefícios foram se reduzindo até o fim desses cartões. Mas durante esse período anos pude comprar 4 carros com cashbacks incríveis: dois Corsas, um VW Polo Sedan e uma GM Captiva.

Pagamento de contas nos cartões de crédito
Em 2009 surgiu a possibilidade de acumular pontos no programa Ponto pra Você do BB (antes de se chamar Livelo) através de pagamento de contas no cartão de crédito, oferecido sem taxas nos primeiros meses de lançamento. Com facilidade em cálculos e conhecimento do mercado financeiro, consegui juntar milhões de pontos a custo zero, quer dizer, a um custo negativo!
Mas como assim, negativo? Utilizando a matemática financeira, analisando as taxas de juros e sabendo calcular o valor presente de uma “dívida”, aliada à possibilidade de pagar em 30 dias com o cartão de crédito, descobri que era possível pagar boletos com uma taxa de juros inferior ao de investimento dos recursos (que seriam utilizados para pagamento do boleto), de maneira que era possível gerar pontos no cartão e acumular receita financeira, ou seja, o custo era negativo.

Durante 7 anos foi possível continuar gerando pontos a custo com essa estratégia, pagando contas e acumulando alguns milhões de pontos, até que a porteira foi fechada.
Utilização de aplicativos de pagamento
Mas como dizia Alexander Graham Bell, “quando uma porta se fecha, outra se abre”.
Com o fechamento da porta de pagamento de contas sem custos, outra porta se abriu: a porta dos aplicativos de pagamento!
Começando pelo Mercado Pago, depois passando por Pic Pay, Recarga Pay, Ame Digital e Iti. Nesses aplicativos, era possível continuar pagando contas através de cartões de crédito, mas desta vez sem juros, permitindo o acúmulo de milhares, ou até milhões de pontos com essa estratégia.

Isso perdurou até 2021, favorecido ainda pela taxa Selic de 2% ao ano em função da pandemia. Mas a partir do momento que o Banco Central começou a aumentar a taxa de juros (até os atuais 15% ao ano), a porta definitivamente se fechou.
Outras portas se abriram, mas nada tão atraente como foi até então.
E como está hoje?
Atualmente, ainda existem duas formas possíveis de se gerar pontos e milhas a custo zero:
– a primeira continua sendo através da utilização do velho cartão de crédito. Elas geram cashbacks, pontos ou milhas, sendo que esses dois últimos permitirão que você consiga emitir bilhetes aéreos com eles e te dará a agradável sensação de que está viajando na faixa!
– a segunda é através de compras bonificadas junto a parceiros desses programas de pontos e milhas. Oferecendo cashbacks como relatei no capítulo 3 – Definição de cashback, é possível comprar produtos e acumular 5 vezes, 10 ou até 20 vezes o valor gasto em reais.

Esta segunda maneira funcionou muito bem até 2024. De lá pra cá, muitas vezes o link para acúmulo desses produtos acumulando pontos e milhas mostra um preço maior do que quando adquirido sem acúmulo, de maneira que, apesar de permitir o acúmulo maior de pontos e milhas, não podemos mais considerar como sendo a custo zero, pois está pagando mais caro!
E é exatamente o acúmulo de pontos e milhas com custo que é a maneira mais popular nos dias de hoje. Seja assinando clubes ou comprando pontos e milhas, você consegue juntar uma quantidade expressiva de pontos e milhas.
E os programas de milhas libera alguns resgates a um custo (em milhas) bastante atraente, permitindo a quem conseguiu emitir a incrível sensação de que conseguiu emitir o bilhete pagando bem barato! E isso é o que torna o mundo das milhas fascinante para aqueles que sabem aproveitar essas oportunidades. Vamos aprender?

[…] D4. Por que o mundo dos pontos e milhas é (ou foi) tão fascinante? […]